23 de maio de 2011

Invista em conhecimento

Todo mundo sabe que mil reais hoje compram menos do que seria possível um ano atrás. Isso acontece por causa da inflação. Para fazer o dinheiro não perder seu valor é preciso investi-lo.

Conhecimento é como dinheiro. Seu valor também diminui com o passar do tempo. E quando se trata de tecnologia, a “inflação” é ainda maior, fazendo com que qualquer conhecimento tecnológico que se possua hoje perca drasticamente o seu valor em alguns anos. Se você não quer se tornar intelectualmente pobre, precisa colocar seu cérebro para trabalhar. Em outras palavras, precisa investir em conhecimento.

Adquira o hábito de investir

Muitas pessoas só investem quando aparece um dinheiro extra. Similarmente, muitos programadores só aprendem algo novo quando o que já sabem está obsoleto. Em ambos os casos, o investimento, de qualquer forma, é válido. Mas, melhor que investimentos grandes e esporádicos são os investimentos pequenos e regulares. Faça do investimento em conhecimento um hábito.

Não ponha todos os ovos no mesmo cesto

Salvo raras exceções[1], os investidores concordam com a bem conhecida frase acima. O motivo é simples: se todos os ovos estiverem no mesmo cesto e algo muito ruim acontecer ao cesto, todos os ovos serão perdidos. Essa é uma forma simples de ensinar a importância da diversificação.

Com o conhecimento tecnológico não é diferente. Seus maravilhosos conhecimentos na tecnologia que paga seu salário hoje – lamento dizer – um dia serão desprezados pela maior parte do mercado. Investir todas as suas energias nessa única tecnologia é como colocar todos os ovos num mesmo cesto.

Para diminuir seus riscos, diversifique. Aprenda os pontos positivos e negativos da tecnologia que você usa atualmente, mas não pare por aí. Aprenda novas tecnologias. Quanto maior o número de tecnologias com as quais você for capaz de trabalhar, melhores serão as suas chances de se adaptar às rápidas mudanças que acontecem na nossa área.

Não evite o risco, administre-o

Se você investir apenas em poupança, seus riscos de perder dinheiro serão pequenos. Porém, basicamente, você apenas manterá o poder aquisitivo do capital aplicado. Por outro lado, se você investir apenas em ações de small caps (empresas de menor porte), as possibilidades de alto lucro serão grandes, mas as de perda total também.

Com um pouco de bom senso, percebe-se que nenhum dos dois extremos é só bom ou só ruim. É aí que entra a administração do risco. Muitos investidores dividem seus investimentos entre os de risco pequeno, moderado e alto. Se os investimentos de alto risco perderem completamente seu valor, o investidor não estará falido. Se, por outro lado, eles dobrarem ou triplicarem de valor, o investidor terá um bom lucro, ainda que não fique rico por isso. Riscos não são ruins, desde que sejam controlados.

De forma similar, podemos dizer que as tecnologias atualmente populares e com significativa demanda de oportunidades de trabalho são os investimentos conservadores enquanto as tecnologias emergentes, mas com bom potencial de crescimento são os investimento arriscados. Não é preciso escolher apenas uma das alternativas para investir; é possível investir em ambas, correndo riscos controlados, sem colocar todos os ovos no mesmo cesto.

Compre na baixa, venda na alta

Pouco depois de a crise financeira estourar nos EUA em 2008, cogitei a possibilidade de comprar ações de uma small cap que havia ficado em sérias dificuldades financeiras. O valor de cada ação estava menos de R$0,10. Era um investimento de alto risco, visto que a empresa poderia falir em pouco tempo. Mas o potencial de ganho era grande, desde que os rumores de que um grande grupo compraria essa empresa e a resgataria da ruína financeira se concretizassem. Bem, eu não quis correr o risco de perder dinheiro algum com essa ação. E fiz mal. No início de 2010 cada ação dessa mesma empresa valia mais de R$25! Se eu tivesse usado mil reais para comprar ações dessa empresa quando elas valiam R$0,10 e tivesse vendido essas mesmas ações quando elas valiam R$25, os mil reais teriam se transformado em nada menos que duzentos e cinquenta mil reais! Essa história me ensinou a importância de comprar na baixa e vender na alta.

Quando se trata de tecnologia, acontece algo muito parecido. Aprender uma tecnologia antes que ela se torne popular é arriscado. Pode ser que nunca surja demanda para “vender” o conhecimento obtido. Por outro lado, se essa nova tecnologia se tornar muito popular e houver poucos profissionais aptos para utilizá-la, esses poucos profissionais serão muito bem pagos para “vender” seu conhecimento.

Ajuste seus investimentos

O mercado financeiro é muito dinâmico. Atentados terroristas, guerras ou mudanças de governo - para citar apenas alguns fatores - geram movimentos bruscos de alta e baixa. Por isso, os investidores precisam estar sempre atentos. Eles podem até se apegar ao seu capital, mas nunca à forma como ele é investido. Nesse mercado, é preciso ser capaz de abrir mão de um investimento que deixou de ser promissor para aplicar em outro com melhores perspectivas.

Não é diferente na área de tecnologia. Tecnologias nascem e morrem o tempo todo. Outras ficam eternamente moribundas. Não se pode contar com a sorte de ter escolhido uma ou outra tecnologia com um futuro promissor. É preciso estar sempre atento às mudanças no mercado e às consequentes oportunidades que surgem. Se a tecnologia com a qual você trabalha hoje está a cada ano menos solicitada pelo mercado, não reze para o barco não afundar, pule. E se um novo mercado ou uma nova tecnologia tem se mostrado cada vez mais promissor, o que você está esperando para colocar pelo menos um pé nele?

Agora, gostaria de saber de você: em que você está investindo?

Referências:

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